quinta-feira, 28 de março de 2013

Coyhaique

27/01/2013

É muito emocionante quando "cai a ficha" e nos vemos percorrendo aquela ruta tantas vezes vista no mapa.
Mais emocionante ainda é descobrir que este lugar é totalmente diferente do que imaginávamos.
A patagônia argentina, via ruta 40, até El Calafate, é seca, com uma vegetação rasteira chamada de estepa, de onde é possível admirar a cordilheira a uma distância de mais de 70 Km (em alguns pontos até mais).
Na patagônia chilena a vegetação é exuberante, tudo é verde, tem clima de selva, mais úmido e chuvoso.
E este dia amanheceu nublado e chuvoso frustrando nossa intenção de filmar para um documentário.
A poeira baixou mas a estrada ficou mais traiçoeira, mais estreita e cheia de curvas.
A foto do GPS saiu tremida mas deixei para dar uma ideia.



O guia da carretera austral indicava a proximidade do Parque Nacional Queulat onde poderíamos ver uma geleira, ou melhor, el ventisquero colgante, que é como chamam uma geleira sobre uma montanha.
Fizemos uma pequena trilha para chegar ao local e... nada. Nadica de nada. Nem um desenho do que seria a geleira, totalmente escondida pela neblina.
Se passar por lá, arrisque. Tem registros lindíssimos dela na internet, mesmo em dias nublados.
Mas a Patagônia é assim mesmo: imprevisível.

decepção ao chegar ao ventisquero colgante do Parque Nacional Queulat
A ruta de ripio seguiu por 147 Km desde La Junta. Ainda no trecho do parque encontramos um zorro colorado.

zorro colorado no Parque Nacional Queulat
Ao chegarmos ao caminho asfaltado, em direção a Coyhaique, a todo momento novos cenários foram se descortinando por detrás das florestas e montanhas, com quedas d'água, lagos, rios, picos nevados e geleiras.
Chega o momento em que desistimos de fotografar. É possível olhar pra seis ângulos e ver seis distintas paisagens. E digo isso sem a luz do sol e o céu azul que tornam tudo ainda mais belo.







Como a cidade de Puerto Aysén é próxima a carretera e o acesso asfaltado, decidimos entrar pra conhecer e comer alguma coisa.
Encontramos um banco onde sacamos pesos chilenos mas nada aberto para comer.
E será assim em toda carretera austral. Os chilenos desta região são muito discretos.
Depois fomos entendendo que os restaurantes ficam sempre com as portas fechadas, mesmo funcionando. As casas não se destacam, raramente exibem placa e a luz, olhando de fora, é muito tênue.
A vantagem é que a gente foi economizando...rs.

Puerto Aysén

Puerto Aysén

Puerto Aysén
Seguimos por 120 Km de estrada asfaltada até vislumbrar, aos pés do cerro Mackay, a cidade de Coyhaique, capital da região de Aysén e considerado o maior centro da carretera austral.
A chegada fica para o próximo capítulo. ;)

cerro Mackay e a cidade de Coyhaique



quarta-feira, 27 de março de 2013

Hora de Seguir

26/01/2013

Depois de dois dias descansando, comendo, dormindo, fotografando e lendo, duas forças opostas aparecem: a preguiça de seguir e a urgência de partir, de descobrir novos destinos.
Foi assim no dia marcado pra sair. Levantamos em torno das 8h e fomos tomar café. Voltamos e desarmamos a barraca, onde deixávamos nossa bagagem, e saímos.
Nosso plano, como disse no início, era voltar a El Calafate e Ushuaia para captarmos imagens que não tínhamos feito em 2007. Uma das opções de novidade era conhecer a ilha de Chiloé, no Chile, sempre adiada pela falta de informação precisa sobre os horários de transporte e preços.
Foi na saída de El Bolsón que o Carlos Eduardo resolveu seguir para a carretera austral, para conhecer a patagônia chilena.
Já tínhamos ido até Futaleufu, no limite com o Chile em outra ocasião com o objetivo de ver o vulcão Chaitén, que estava em erupção. Desistimos porque não havia gasolina em uma distância de 300 Km de estrada de chão e seria muito arriscado ir de Kombi.
Desta vez, com a Nissan X-Terra, não teríamos problema e seguimos até Esquel onde enchemos o tanque de diesel, 21 litros por 100 pesos argentinos, percorridos 3656 Km desde Blumenau.
Em Esquel também almoçamos por 130 pesos.
Não tínhamos mapa, nem ideia das condições da estrada ou de hospedagem.
Entramos no Chile por Futaleufu e seguimos fotografando as primeiras paisagens da carretera austral.
Estas fotos foram tiradas no trecho até Villa Santa Lucia.









No Google não consegui encontrar o local onde dormimos, La Junta.
Veja no mapa que está no site do hotel.
Aí você consegue ver Esquel, Futaleufu, Villa Santa Lucia e La Junta.


Depois de Villa Santa Lucia, onde fotografamos a lua cheia, a noite caiu rapidamente e tudo que queríamos era encontrar um lugar para dormir.
A informação que recebemos de um casal de chilenos foi para dormirmos em Puyuhuapi, onde há um hotel com termas. Pelo que vimos no nosso GPS, seria difícil chegarmos até lá no mesmo dia por causa da estrada de chão. Também estamos acostumados a viajar até tarde na Patagônia, com luz até 22h, mas na patagônia chilena a coisa é bem diferente.
Felizmente encontramos o Hotel de Montanã Espacio y Tiempo, junto a carretera.
A proprietária, uma colombiana, nos recebeu maravilhosamente bem e fez com que nos sentíssemos num oásis. Ela nos deu um guia da carretera austral, de regalo, e nos contou que, neste pequeno trecho percorrido sem a luz do sol, perdemos paisagens maravilhosas.






O Hotel nos custou 140 dólares.

E não há mais onde gastar em todo trecho.
Comemos o que tínhamos de reserva, alguma comida comprada no supermercado de El Bolsón no dia anterior, por 104 pesos argentinos.

Segue um trecho da estrada pra sentir o drama.



sexta-feira, 22 de março de 2013

25/01/2013

Acordar no camping Aldea Suiza é assim: medialunas quentinhas nos esperando para o desayuno.
Nem dá pra descrever a maciez dessa massa.
Perguntei de onde vinham essas delícias e soube que a padaria coloca mais manteiga nos lotes destinados às hospedarias.

medialunas especiais para hospedagens
Aproveitamos mais este dia de descanso para encontrar nosso amigo Dominik, que mora parte do tempo em Munique, sua cidade natal, e outra parte do tempo na Argentina ou no Chile.
Nós o conhecemos em 2004, no camping Cirse, em Bariloche.
Carlos Eduardo e Dominik em El Bolsón

Caminhão do Dominik  transformado em motor home
Dominik tem um caminhão transformado em motor home e desta vez estava acampado em El Bolsón.
Fomos fazer um passeio a um dos lagos da região, o Epuyen, e colocar em dia as novidades.

Lago Epuyen
Colocando a fofoca em dia

Lago Epuyen - próximo a El Bolsón
Na volta do passeio ao lago Epuyen, a lua nos surpreendeu em sua plenitude.

lua cheia no retorno do lago Epuyen
À noite voltamos ao auditório El Pitio para assistir mais um show, desta vez de música medieval.
Todos os instrumentos usados na interpretação são confeccionados por um dos fundadores do grupo Languedoc, Marcelo García Morillo, um amante da música medieval, que participa das apresentações.
Abaixo, um pequeno trecho gravado no celular.


Foram 3 noites no camping Aldea Suiza.
A hospedagem mais as refeições nos custaram 800 pesos.
Show do Nubes:  100 pesos
Show Languedoc:  140 pesos
Abastecemos 55,5 litros por 260 pesos, a 4,689 o litro.

Agora, finalmente, começa a viagem!


quinta-feira, 21 de março de 2013

Merecido Descanso

24/01/2013

Dia de dormir até tarde, organizar a bagagem, passear pelo centrinho.
El Bolsón é uma cidade única. Atraiu e atrai desde amantes da natureza, hippies até esotéricos em busca da energia mística do paralelo 42.
Na praça central da cidade, a Plaza Pagano, é realizada uma feira de artesanato enquanto se apresentam vários grupos musicais. Na grama, amigos compartilham marijuana. Não que a erva seja liberada, mas a polícia faz vistas grossas, como se o hábito já fizesse parte da cultura do lugar. Outros grupos são adeptos do tambor e dançam freneticamente ao som das batidas.
Os idiomas se misturam, assim como o figurino. Uma grande festa ao ar livre.

video



Plaza Pgano - El Bolsón

Eu dormi na praça, pensando nele...


No dia 24 também curtimos o camping.
Os proprietários, Miguel e Ursula, são pessoas maravilhosas, bons amigos, bom papo.
Passam as férias no Brasil, de preferência na Bahia, e adoram uma caipirinha.
Ursula faz doces e pães. Na confiteria, a qualquer hora do dia é possível saborear uma deliciosa fatia de apfelstrudel ou uma taça de framboesas a la crema.
E foi lá que fizemos a maioria das refeições nos dias em que ficamos em El Bolsón.
Na foto, goulasch com spätzle e panquecas.

Refeição na confietria do camping Aldea Suiza


Aconchêgo do restaurante do camping Aldea Suiza

Miguel e Ursula - proprietários do camping Aldea Suiza
Pra fechar o dia com chave de ouro, show com o Nubes Gipsy Jazz.

 

De Neuquén a El Bolsón, Argentina

23/01/2013

No interior da Argentina o check out em hotéis é às 10h. Triste porque, como o sol se põe tarde, vamos aproveitando a luz pra viajar. Só que acabamos dormindo tarde e tendo que acordar cedo. Enfim...

Veja no mapa o trajeto que fizemos neste dia.

Saímos de Neuquén às 10h30 com destino, inicialmente, a Bariloche.
Fomos tranquilos porque a distância a percorrer era a menor de todas.
Estava muito calor mas desta vez não sofremos porque, pela 1ª vez, tínhamos ar condicionado.
O termômetro do carro marcou 37ºC.

No caminho é possível visitar El Chocón, uma vila onde foi encontrado farto material de dinossauros herbívoros e carnívoros, desde pegadas até os fósseis mais antigos já encontrados no mundo.


Outro lugar interessante no caminho é Piedra del Aguila. Uma pequena vila com curiosas formações rochosas formadas por basalto há 70 milhões de anos, segundo informações da Wikipédia.
.
Diz a lenda que a vila tem este nome porque, em 1890, o General Villegas, comandante da Campaña de los Andes, teria provado a pontaria de sua Remington em uma águia pousada na rocha.


 Uma das coisas que nos chamou a atenção enquanto nos aproximávamos da cordilheira foi uma névoa que envolvia a região. A expectativa maior é poder avistar o vulcão Lanin, o que compensa o cansaço dos dias de viagem.

Primeira visão da cordilheira - vulcão Lanin
Ainda no caminho, a pouco mais de 30 quilômetros de Bariloche, a parada é obrigatória no Anfiteatro.

Anfiteatro
Foi quando entendemos que a névoa ainda era das cinzas da erupção do vulcão Puyehue. Apesar do tempo passado, as laterais da ruta ainda acumulam camadas de cinzas.




Ao chegarmos a Bariloche levamos um susto: nenhuma neve sobre os montes, inédito pra nós nos últimos 10 anos, e uma nuvem de poeira envolvendo a cidade por causa do vento levantando as cinzas.
Por isso decidimos seguir direto para El Bolsón.
Completamos 3 400 Km e nos hospedamos no camping Aldea Suiza.
Preço do camping: 50 pesos por pessoa, por dia.

Névoa de cinzas do vulcão Puyehue envolvendo Bariloche




De Lujan a Neuquén, Argentina

22/01/2013
Acompanhe no mapa a distância percorrida neste dia.

Pelo fato de termos dormido no carro, saímos cedo desta vez, às 8h15min.
Abastecemos em:
Bragado - 28,72 de diesel por 216 pesos;
Santa Rosa - 35,6 litro por 228 pesos;
Cipoletti - 48 litros por 282 pesos;

Pedágios:
9 de Julio - 21,10 pesos;
Tranque Lauquen - 4,00 pesos;
Chegada a Neuquen - 0,50 centavos de pesos;

Na chegada a represa Casa de Piedra é necessário pagar uma taxa para a vigilância sanitária.
O carro passa por um banho de imunização para garantir que a área não seja contaminada com pragas e pestes.
O valor da taxa é de 12,80 pesos.

Toda essa região é muito quente e seca, mas Neuquén é um oásis no deserto, cidade onde é produzida a maior parte das frutas argentinas que são exportadas, como a maçã e o pêssego, graças ao aproveitamento das águas.
Também é o maior centro da região para encontrar todo tipo de artigo no comércio, principalmente peças das mais variadas marcas de automóveis.
Neuquén é considerada a cidade mais importante da Patagônia argentina, com uma população de quase 300 mil habitantes, considerandos os distritos próximos.

Neste trecho a paisagem não muda muito. Atravessamos retas intermináveis e é muito raro encontrar uma árvore. Mas é possível apreciar flamingos e outras aves nas lagunas formadas pela chuva.


Paisagem plana na área "desértica" da viagem - muitas retas e poucas árvores


Também é neste trecho, pela paisagem plana, que podemos registrar os mais belos "pôr-do-sol".



Hotel em Neuquén tem preço salgado e, às vezes, estão lotados.
Na via principal que leva a Neuquén, ainda no distrito de Plottier, existe um camping, chamado La Laguna.

Em nossas viagens costumamos alternar noites em hotel e em camping.
Neste dia ficamos no Hostal Del Caminante, por 480 pesos.

Em alimentação, neste dia, gastamos entre o café da manhã, lanches, almoço e jantar, 400 pesos.
Leia-se nestas despesas com alimentação, água, energético, chocolate, cigarro, enfim, muita bobagem.

Até Neuquén foram percorridos 2830 Km.